Categories: Diversos

AGU: resolução do CFM que proíbe a assistolia é inconstitucional – Agência Brasil

A Advocacia-Geral da União (AGU) enviou nesta quarta-feira (19) ao Supremo Tribunal Federal (STF) parecer pela inconstitucionalidade da resolução aprovada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) para proibir a realização da chamada assistolia fetal para interrupção de gravidez. O procedimento é usado pela medicina nos casos de abortos previstos em lei, como o caso de estupro.

A manifestação faz parte da ação na qual o PSOL questiona a validade da norma do CFM, que foi suspensa no mês passado pelo ministro Alexandre de Moraes. O próximo passo é o julgamento definitivo pelo plenário.

Notícias relacionadas:

Hospitais devem provar cumprimento de decisão que liberou assistolia.Assistolia é crueldade, diz presidente do Conselho Federal de Medicina.O ministro considerou que houve “abuso do poder regulamentar” do CFM ao fixar regra não prevista em lei para impedir a realização de assistolia fetal em casos de gravidez oriunda de estupro.

Para a AGU, o conselho não tem atribuição legal para restringir as normas legais sobre aborto.

“A resolução CFM nº 2.378/2024 pretendeu, ainda que disfarçadamente, alterar a disciplina legal sobre a questão do aborto. Todavia, uma limitação como a posta pela resolução CFM nº 2.378/2024 somente seria possível por meio de lei formal. E essa é uma atribuição do Congresso Nacional, nunca de um conselho profissional”, argumentou a AGU.

O órgão também ressaltou que a Constituição determina a proteção de grupos vulneráveis contra toda forma de violência.

‘Registre-se que a proibição prevista pela resolução em exame impacta de forma significativa grupos vulneráveis, como crianças e adolescentes e mulheres pobres e pretas, desconsiderando as dificuldades que elas têm para acessar o procedimento, o que, muitas vezes, gera a necessidade de interrupção de gestações em estágios mais avançados”, completou.

Mais cedo, Alexandre de Moraes deu prazo de 48 horas para cinco hospitais de São Paulo comprovarem o cumprimento da decisão que liberou a realização da assistolia fetal para interrupção de gravidez.

Após deixar uma reunião com o ministro, o presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), José Hiran da Silva Gallo, disse que a assistolia fetal é uma “crueldade” como método de interrupção da gravidez.  Ele sugeriu que a indução do parto após 22 semanas de gestação pode ser utilizada para substituir o procedimento.

Share

Recent Posts

FGC alerta para vazamento de dados de investidores e risco de golpes – Agência Brasil

O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) informou nesta quinta-feira (5) que identificou acesso não autorizado…

6 horas ago

Autoridades investigam quatro mortes relacionadas a temporais no Sul – Agência Brasil

As defesas civis do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina contabilizam ao menos…

6 horas ago

Derrota de Trump coloca em xeque relação histórica dos EUA com Israel – Agência Brasil

A derrota histórica dos republicanos na eleição de meio de mandato do presidente dos Estados…

6 horas ago

Mais de 2,4 milhões de casas precisam renovar desconto na conta de luz – Agência Brasil

Mais de 2,4 milhões de famílias de baixa renda precisam atualizar o cadastro junto a…

6 horas ago

Imposto do pecado: entenda cobrança sobre cigarros, bebidas e veículos – Agência Brasil

Após meses de negociação com os setores atingidos, o governo federal publicou, na quarta-feira (4),…

6 horas ago

STJ – STJ lança tutorial sobre nova página do calendário de sessões de julgamento

STJ lança tutorial sobre nova página do calendário de sessões de julgamento - STJ lança…

7 horas ago