Categories: Diversos

Em série da Rádio MEC, Ruy Castro traz canções de carnavais antigos – Agência Brasil



No mês que antecede a folia, a Rádio MEC estreia a série A Música do Carnaval, produção inédita apresentada pelo jornalista e escritor Ruy Castro. O programa sobre marchinhas e sambas de carnavais antigos vai ao ar na emissora pública com edições semanais a partir deste domingo (9), às 21h.

Com quatro episódios de uma hora, o conteúdo mescla clássicos do cancioneiro nacional e histórias narradas pelo imortal a respeito de cada obra. A atração destaca curiosidades e revela bastidores sobre os intérpretes, os compositores e essas preciosidades do repertório popular.

Notícias relacionadas:

“Nesta série de programas vamos apresentar dezenas de grandes marchinhas e sambas dos carnavais do passado. Mas não é por nenhum saudosismo. É que o carnaval também é cultura, e a cultura é de todas as épocas”, define o jornalista, sobre as canções criadas entre as décadas de 1930 e 1960.

A nova produção original de Ruy Castro, Heloisa Seixas e Julia Romeu está disponível em várias plataformas. Além de acompanhar no dial, o ouvinte pode conferir o conteúdo exclusivo no app Rádios EBC, na transmissão em streaming no site da emissora pública e em formato podcast pelo Spotify.

Na estreia, o seriado resgata marchinhas como Hino do Carnaval Brasileiro, de Lamartine Babo; A Jardineira, de Benedito Lacerda e Humberto Porto; Nós, os Carecas, de Roberto Roberti e Arlindo Marques Jr; Pierrô Apaixonado, de Noel Rosa e Heitor dos Prazeres; e Aurora, de Mario Lago e Roberto Roberti, entre outras.

Gêneros carnavalescos

Ruy Castro aborda o tema das músicas lembradas no programa.

“As marchinhas, tanto as alegres quanto as mais românticas, gostavam de falar do próprio carnaval. Também serviam para fazer crítica social e para descrever o cotidiano do brasileiro. Quase todas eram assim: engraçadas, maliciosas e nada inocentes”, pontua.

Grandes intérpretes do país entoavam esses sucessos. “Todos os cantores daquele tempo, mesmo os mais românticos, cantavam carnaval. Até mesmo o talvez maior de todos: Orlando Silva”, lembra o jornalista que ainda menciona nomes como Carmen Miranda, Aracy de Almeida, Mario Reis, Almirante e Francisco Alves, conhecido como “O Rei da Voz”.

“Ainda que a partir dos anos 1930 as marchinhas tenham reinado na folia, elas não estavam sozinhas. Havia também os sambas de carnaval, que eram gravados especialmente para a época e tocavam no rádio sem parar. Não confundir com os sambas-enredo, cantados pelas escolas de samba. Ambos – sambas e marchinhas – foram os dois grandes gêneros carnavalescos até os anos 1960”, diz Ruy Castro.

O pesquisador explica como era essa dinâmica no cotidiano. “Todos os compositores importantes faziam tanto marchinhas quanto sambas de carnaval. As composições eram gravadas em meados do segundo semestre e lançadas no fim do ano. Tocavam o tempo todo no rádio, o povo aprendia e, quando chegava o carnaval, as multidões cantavam nas ruas. Esta era a magia do carnaval”, celebra.

O clássico Cidade Maravilhosa, marchinha de André Filho, em versão instrumental, com Zaccarias e sua orquestra, embala o prefixo da série com a alegria que marcava os bailes de carnaval do século passado e atravessa gerações. “Todos a conhecemos muito bem. Embora tenha sido composta para o carnaval de 1935, ela se tornou em 2003 o hino oficial da cidade do Rio de Janeiro”, ratifica o jornalista.

Sobre Ruy Castro

O jornalista e escritor Ruy Castro começou sua trajetória profissional como repórter em 1967, no Rio de Janeiro, e atuou nos principais veículos da imprensa carioca e paulistana. Em 1988 passou a se dedicar aos livros e fez sua estreia como escritor em 1990, com o lançamento de Chega de saudade: a história e as histórias da bossa nova.

É autor de biografias de Nelson Rodrigues, Garrincha e Carmen Miranda, reconstituições históricas sobre a bossa nova, o samba-canção e o Rio de Janeiro dos anos 1920, além de romances e obras sobre cinema e literatura. Em 2021, foi agraciado com o prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras (ABL). No ano seguinte, foi eleito para ocupar a cadeira 13 da ABL.

Share

Recent Posts

STJ – STJ e CFJ lamentam partida do advogado Nelson Martins

STJ e CFJ lamentam partida do advogado Nelson Martins - STJ e CFJ lamentam partida…

2 horas ago

TSE barra anúncios de Lula acusando Flávio de ser contra escala 6×1 – Agência Brasil

O ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), proibiu neste domingo (11) a campanha…

2 horas ago

Derrubar canal com eleitores limita mobilização, dizem especialistas – Agência Brasil

A decisão de derrubar o canal Exército do Lula no WhatsApp com 3,3 milhões de…

2 horas ago

Corinthians anuncia Seedorf como novo técnico até dezembro de 2027 – Agência Brasil

O Corinthians anunciou neste domingo (11) a contratação do holandês Clarence Seedord, de 50 anos,…

2 horas ago

Flávio passa domingo reunido com prefeitos e vereadores de São Paulo – Agência Brasil

O senador e candidato à presidência da República pelo PL, Flávio Bolsonaro, cumpriu agenda neste…

2 horas ago

Henrique Marques leva ouro, o 2º do Brasil em Grand Prix de taekwond – Agência Brasil

O atleta brasileiro de taekwondo Henrique Marques, de 22 anos, garantiu a segunda medalha de…

2 horas ago