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G7: Tensão entre China e Taiwan deve ser foco em tratativas com Brasil – Agência Brasil

A situação diplomática tensa entre China e Taiwan deve ser foco das negociações com o Brasil durante a Cúpula do G7, em Hiroshima, no Japão. O professor de Relações Internacionais Williams Gonçalves, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), destaca que entre os representantes do G7, os Estados Unidos exercem forte dominância em relação ao tema. Apesar de o Brasil não fazer parte do grupo das sete maiores economias do mundo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa do encontro como convidado.

A China busca conquistar o território de Taiwan, que defende a própria independência. O clima de apreensão piorou após a visita da parlamentar estadunidense Nancy Pelosi à ilha, o que foi interpretado como provocação pela China, que aumentou o cerco militar a Taiwan.

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G7 promete esforços para atingir cobertura universal de saúde no mundo.No G7, Brasil assina declaração conjunta para combater a fome.China e sanções à Rússia são pautas da Cúpula do G7 em Hiroshima.“Os Estados Unidos estão empenhados em fortalecer os laços com os países asiáticos que temem a expansão da China. Temos os Estados Unidos e seus aliados da Otan [Organização do Tratado do Atlântico Norte] mais o Japão preocupados com a expansão chinesa. E essa expansão se objetiva na suposta tentativa de a China retomar Taiwan à força. Isso, no entendimento de norte-americanos e japoneses, equivaleria ao ataque que a Rússia fez à Ucrânia”, explica Gonçalves.

“É intenção dos Estados Unidos fortalecer esses laços e – é aí que entra o Brasil – atrair países do sul global para essa aliança. Os Estados Unidos já não têm mais a influência que tinham sobre os países periféricos, e essa reunião é uma tentativa não de voltar a exercer o controle, mas de seduzir certas lideranças a integrar essa aliança. Temos a convergência da relevância do Brasil adquirida pelo governo Lula e essa conjuntura muito especial de guerra na Europa e suposta ameaça de Taiwan pela China”, complementa.

O docente reconhece o temor em torno da questão e a possibilidade de reintegração de Taiwan à China como principais pautas do G7. “Além disso, há as restrições, os boicotes que são feitos à economia russa, em virtude da guerra que trava com a Ucrânia, aliada da Otan. Os Estados Unidos comandam toda essa rede, que procura boicotar a economia russa, mas, por outro lado, sabemos que a economia russa está sendo sustentada, em grande medida, pelo apoio da China e da Índia. A China, como sabemos, não comparecerá à reunião de Hiroshima, mas a Índia, sim. Portanto, é uma oportunidade que os Estados Unidos têm de tentar convencer os indianos a deixarem de apoiar a Rússia, o que será muito difícil, independentemente da simpatia que o governo indiano dispensa aos Estados Unidos”.

Apesar de crer que o Brasil tenha pouco espaço para tratar mais diretamente sobre as estratégias em torno de Taiwan, Gonçalves pensa que a reunião da cúpula do G7 pode servir ao presidente Lula como uma janela para negociações comerciais.

“Um dos objetivos do presidente Lula, no seu giro internacional, é atrair investimentos para dinamizar a economia brasileira, tão debilitada. E não há a menor dúvida de que uma reunião como essa é sempre uma boa oportunidade de colocar o Brasil e sua economia em evidência”, pondera o professor.

Diplomacia

Lula cumpre agenda no Japão até a próxima segunda-feira (22), quando volta ao Brasil. Embora não componha o grupo, formado por Estados Unidos, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Canadá, o líder brasileiro foi convidado para participar dos encontros.

O professor Williams Gonçalves destaca que o chamado feito ao governo brasileiro decorre da melhora da imagem do Brasil diante da comunidade internacional e, por conseguinte, do resgate de vínculos rompidos anteriormente. 

De acordo com Gonçalves, o que determina o valor de um país são três fatores: seu nível de desenvolvimento nas esferas econômica, social, militar e tecnológica, como é visto pelas grandes potências do mundo e sua pretensão, o que quer ser, o que se traduz na forma como conduz sua política externa. 

Gonçalves explica que o Brasil já teve um peso maior e que perdeu relevância em certas áreas, como a de tecnologia, embora mantenha interlocução em outras igualmente importantes, como a de meio ambiente. O protagonismo do Brasil na América Latina foi ressaltado pelo embaixador do Japão no Brasil, Hayashi Teiji.

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