O Glossário de Língua Brasileira de Sinais (Libras) em Administração, lançado no ano passado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), está aberto a contribuições.
O objetivo da ferramenta é facilitar a comunicação e a compreensão entre profissionais surdos e ouvintes no ambiente administrativo. O glossário foi elaborado por especialistas em Libras, em colaboração com profissionais da área de Administração e com a participação de membros da comunidade surda.
São Paulo abre inscrições para curso online e gratuito de Libras.Estudantes do ensino técnico desenvolvem app para tradução em Libras.Vários sinais foram criados pelo docente do Senac em Betim Daniel Miranda, que também é surdo. Segundo ele, foi necessário conhecimento prévio em Administração e dos sinais já dominados pela comunidade surda para iniciar o trabalho.
“Agora é o momento de inclusão para todos. Muitos surdos têm dificuldade em obter informações sobre empreendedorismo e abrir um negócio, pois não estavam preparados”, ressalta Miranda.
Foram levados em consideração os termos específicos utilizados no campo, como gestão, liderança, planejamento estratégico, recursos humanos, finanças e marketing, entre outros.
De acordo com o professor, a participação de profissionais surdos nesse processo foi fundamental para garantir a precisão e a adequação dos sinais utilizados no glossário. Para ele, a abordagem inclusiva assegurou que as necessidades e as perspectivas da comunidade surda fossem consideradas, contribuindo para a criação de um recurso linguístico confiável e autêntico.
Quem quiser enviar contribuições deve encaminhar ao Senac a sugestão da palavra, juntamente ao vídeo mostrando o sinal desse termo em Libras, além do exemplo de aplicação em uma frase. Os endereços são jessica.maciel@mg.senac.br e juliana.gaudencio@mg.senac.br.
De acordo com a última pesquisa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE), em 2020 cerca de 5% da população brasileira era surda, o que corresponde a mais de 10 milhões de pessoas, sendo que apenas uma parcela dos deficientes auditivos se comunica por meio da Libras, indicando que o ensino da língua de sinais pode garantir uma educação mais inclusiva.
Em estudo feito pelo Instituto Locomotiva para a Semana da Acessibilidade Surda mostrou que, em 2019, cerca de 7% dos surdos brasileiros tinham ensino superior completo, 15% frequentaram a escola até o ensino médio, 46% até o fundamental, enquanto 32% não tinham um grau de instrução.
A Língua Brasileira de Sinais (Libras) é reconhecida como uma língua oficial no Brasil desde 2002.
*Estagiário sob supervisão de Akemi Nitahara
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