Categories: Diversos

Judicialização representa um terço do gasto estadual com medicamentos – Agência Brasil



Do total de gastos dos estados brasileiros com medicamentos em 2023, em média um terço (32,9%) ocorreu por força de decisões judiciais. Os dados fazem parte da Pesquisa Assistência Farmacêutica no Sistema Único de Saúde (SUS), divulgada nesta terça-feira (27) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

A pesquisa foi feita em cooperação técnica com o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) e o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass). Foram ouvidos gestores de saúde de 25 estados, incluindo o Distrito Federal, e de 1.865 municípios. Todos os estados registraram gastos do tipo com medicamentos, assim como 58,7% dos municípios (total de 1.904).

Notícias relacionadas:

A frequência de municípios com fornecimento de medicamentos judicializados foi maior nas regiões Centro-Oeste (80,5%), Sudeste (73,3%) e Sul (57,6%), e menor nas regiões Norte (49%) e Nordeste (46,3%).

Segundo o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), no ano passado, foram 162.046 novos casos relacionados à saúde pública na 1ª instância do judiciário. Esse número era de 76.836 em 2020, um aumento de 110,9%.

Outra referência são os dados do Siga Brasil, sistema de acesso público que contém informações de execução orçamentária e financeira da União. Em 2024, o Ministério da Saúde teve despesa de R$ 3,2 bilhões relacionada às demandas judiciais de medicamentos.

Para os pesquisadores do Ipea, essa realidade dificulta o planejamento da assistência farmacêutica e compromete o orçamento para aquisição de medicamentos, o que reduz a disponibilidade financeira para fornecimento de medicamentos para toda a população.

O presidente do Conasems Hisham Hamida diz que os municípios têm assumido responsabilidades maiores, sem aporte financeiro dos governos federal e estadual.

“Estamos sendo obrigados a custear medicamentos de altíssimo custo por decisões judiciais, muitas vezes sem o devido critério técnico e sem previsão orçamentária. Isso desorganiza completamente o planejamento da gestão municipal e compromete o orçamento”, diz Hamida.

Na comparação entre 2019 e 2023, municípios aumentaram os gastos em 40%, com diminuição de 21% dos repasses federais e 22% dos repasses estaduais. Em relação às despesas dos estados, houve crescimento de 25,1% no gasto e redução de 6,2% do repasse federal.

Segundo os pesquisadores do Ipea, os resultados mostram a necessidade de rediscussão do financiamento da assistência farmacêutica e do gerenciamento da aquisição de medicamentos pelas três esferas de governo.

Share

Recent Posts

STJ – Golpes virtuais, danos reais: o STJ diante das fraudes envolvendo instituições financeiras

Atento às evoluções do sistema financeiro, o STJ tem fixado precedentes como a definição de…

10 horas ago

Janones denuncia censura em decisão do TSE contra “Exército do Lula” – Agência Brasil

O deputado federal reeleito André Janones (Rede-MG) criticou a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE)…

10 horas ago

Governo ajudou assim que Amazonas decretou emergência, diz ministro – Agência Brasil

A decretação do estado de emergência em 36 municípios pelo governo do Amazonas foi essencial…

10 horas ago

Lula afirma que PT entrará na Justiça contra suspensão de canal – Agência Brasil

O candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse neste domingo (11) que seu partido…

10 horas ago

Patrimônio cultural, Círio de Nazaré reúne fiéis e turistas em Belém – Agência Brasil

No mês de outubro, a programação do Círio de Nazará mobiliza fiéis, turistas e inúmeras…

10 horas ago

Interpretação é a base da prova de Linguagens do Enem; veja dicas – Agência Brasil

Saber interpretar textos é tão importante quanto conhecer os conteúdos na prova de Linguagens, Códigos…

10 horas ago