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Ministério eleva para R$ 111,6 bi projeção de superávit comercial – Agência Brasil

O Ministério da Economia elevou de US$ 79,4 bilhões para US$ 111,6 bilhões a projeção de superávit comercial (exportações menos importações) para este ano. Segundo a pasta, a valorização das commodities (bens primários com cotação internacional) decorrente da guerra entre Rússia e Ucrânia justificou a revisão da estimativa.

“O conflito entre Rússia e Ucrânia levou a um aumento de preços e gera expectativa de valor exportado maior”, disse o subsecretário de Inteligência e Estatísticas de Comércio Exterior do Ministério da Economia, Herlon Brandão.

Segundo o subsecretário, além do aumento dos preços internacionais, observa-se o aumento da demanda por matérias-primas brasileiras após o início do conflito. “Há demanda crescente por produtos brasileiros a preços maiores, o que fará com que a receita de exportação cresça”, acrescentou.

Caso a previsão se confirme, esse será o maior superávit comercial desde o início da série histórica, em 1989. O saldo positivo de US$ 111,6 bilhões representa quase o dobro do superávit recorde de US$ 61,2 bilhões, registrado no ano passado.

A cada três meses, o Ministério da Economia revisa as projeções para a balança comercial. A estimativa para as exportações em 2022 saltou de US$ 284,3 bilhões previstos em janeiro para US$ 348,8 bilhões. Para as importações, as projeções passaram de US$ 204,9 bilhões para US$ 237,2 bilhões. As previsões também são recordes para esses parâmetros.

As projeções oficiais estão bem mais otimistas que a do mercado. A última edição do boletim Focus, pesquisa com analistas de mercado divulgada toda semana pelo Banco Central, projeta superávit comercial de US$ 65 bilhões neste ano.

Impactos

Apesar da melhora na balança comercial, a invasão da Ucrânia pela Rússia está produzindo impactos no comércio do Brasil com os dois países. Em março, as vendas brasileiras para a Ucrânia caíram 59% em valores na comparação com o mesmo mês de 2021. Alguns produtos, como a soja, tiveram o fluxo totalmente interrompido e não foram exportados para o país do leste europeu. As importações da Ucrânia recuaram 49%.

Em relação à Rússia, houve queda no fluxo de mercadorias, mas o encarecimento de preços garantiu o aumento dos valores comerciados. Em março, o valor das exportações brasileiras para a Rússia subiu 54%, enquanto o valor das importações aumentou 71%, pressionado pelos fertilizantes químicos, item do qual a Rússia é uma das principais produtoras globais.

“Observamos queda acentuada no fluxo comercial para a Ucrânia em março. Já o aumento do comércio com a Rússia ocorre por alta em preços. Há redução em quantidade nos totais importados de 9,6%”, afirmou o subsecretário do Ministério da Economia.

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