As areias de Copacabana foram cobertas por 120 mortalhas que representavam, segundo o fundador da ONG Rio de Paz, Antônio Carlos Costa, o número aproximado de crianças palestinas que morrem diariamente em Gaza. A manifestação foi organizada pela ONG que estendeu ainda uma faixa com a pergunta Why?, Porquê? em inglês. As mortalhas brancas estavam manchadas de vermelho. Ao lado de cada uma tinha uma bandeira da Palestina e, em algumas, rosas vermelhas.
A Rio da Paz começou a montar a manifestação às 4h e às 6 já estava com todas expostas. Às 10h45 dois integrantes da ONG cavaram uma cova na areia para o enterro simbólico das crianças. Ao fim, as mortalhas foram recolhidas pela Rio de Paz.
Número de mortos em Gaza sobe para 9.061; Israel mata líderes do Hamas.Conselho da ONU faz reunião de emergência sobre guerra Israel-Hamas.Para Antônio Carlos Costa, a ação do Hamas no dia 7 de outubro não pode ser vista em hipótese alguma como a luta do oprimido contra o opressor.
“Não é luta do oprimido contra o opressor praticar estupro, degolar crianças, executar famílias inteiras. Isso é a barbárie. Agora, o que não pode é uma resposta a um ato criminoso inominável, se matar crianças. Quatro mil aproximadamente foram mortas desde que Israel começou a enviar essa chuva de mísseis sobre Gaza. A situação, portanto, é totalmente desesperadora”, disse em entrevista à Agência Brasil.
Segundo o fundador da ONG, a questão tem a ver com o Brasil porque o planeta é pequeno e o que ocorre lá reflete aqui. “Se houver uma terceira guerra mundial vai afetar todo o mundo. Hoje em razão dos meios de comunicação e das redes sociais o que falamos aqui pode chegar lá”, explicou.
Antônio Carlos Costa fez uma comparação entre as ações no Oriente Médio e as operações policiais no Rio de Janeiro. “Nós enfrentamos um problema análogo aqui no Rio de Janeiro. Muitos justificam as operações policias usando o mesmo princípio que está sendo aplicado em Gaza, quer dizer, polícia pode entrar na comunidade, mata morador, porque afinal de contas está caçando traficante, o que é isso? Não podemos elevar à condição de princípio essa espécie de autodefesa, que você na ânsia de matar o bandido, no caso de Israel o terrorista, você se esquece de civis inocentes”, observou.
Na visão do ativista, a guerra tem dividido o próprio povo de Israel, porque há muitos israelenses que são radicalmente contrários ao confronto. Segundo ele, a posição do país expõe o mundo a possibilidade de uma terceira guerra mundial, a atentados terroristas em cidades europeias e americanas, sem, no entanto, apresentar uma solução final para o problema. Além disso, para ele, Israel está alterando a sua própria imagem perante o mundo.
“Não consigo imaginar nada de pior que Israel pudesse fazer em detrimento da sua imagem do que essa guerra. As pessoas já não estão falando mais sobre o atentado terrorista sofrido por Israel, mas pelos crimes de guerra que Israel está praticando em Gaza. Essa decisão do Netanyahu [Benjamin Netanyahu, primeiro ministro de Israel] não representa a totalidade do povo israelense”, relatou.
Antônio Carlos Costa disse que é contrário ao uso indiscriminado e desproporcional da força que está em curso, nesse momento, em Gaza e que está provocando mortes de meninas e meninos palestinos. “Isso é inaceitável. Isso é crime de guerra. Nós queremos o cessar fogo e não estamos sós, porque o Conselho de Segurança da ONU, com exceção dos Estados Unidos e de Israel; Anistia Internacional; Human Rights Water; Médicos sem Fronteiras; Unicef; todo mundo quer o fim da guerra. Estamos aqui apenas nos juntando a essas demais nações, povos em movimento, organizações humanitárias pedindo pelo óbvio: o cessar fogo imediato”, completou.
Na próxima terça-feira (7), a Rio de Paz fará uma nova manifestação. Dessa vez será para lembrar um mês do ataque do Hamas a Israel. “Vamos fazer um ato aqui em repúdio ao atentado terrorista em solidariedade ao povo de Israel e pedido de libertação dos reféns que nesse exato momento tem gente refém dessa facção terrorista”, concluiu.
* Matéria alterada às 15h29 para ajuste no texto.
Enfam oferece duas vagas de mestrado em direito para candidatos de fora da carreira jurídica…
Terceira Turma decidiu que o Reclame Aqui atua como um provedor de aplicação de internet…
Notícia de interesse social justifica prevalência da liberdade de informação sobre proteção da privacidade de…
STJ define novas diretrizes para lançamento de livros no espaço físico da corte - STJ…
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) adotará uma operação especial para reforçar a segurança…
O prefeito de Barra do Corda, no Maranhão, Rigo Alberto Teles de Sousa, determinou, na…